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UFJ

Jordana Rezende Souza Lima

REFERÊNCIA: Lima, Jordana Rezende Souza Lima. Etnobotânica no cerrado [manuscrito]: um estudo no Assentamento Santa Rita, Jataí (GO)/ Jordana Rezende Souza Lima. - 2013. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás, Campus Jataí, 2013.
AUTOR: Jordana Rezende Souza Lima
TÍTULO: AETNOBOTÂNICA NO CERRADO: UM ESTUDO NO ASSENTAMENTO SANTA RITA, JATAÍ (GO).
ORIENTADOR: Raquel Maria de Oliveira. Co-Orientador (a): Luzia Francisca de Souza
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: Organização do espaço nos domínios do Cerrado brasileiro.
LINHA DE PESQUISA: 
DATA DE APROVAÇÃO: 19/04/2013

 

Resumo:

A etnobotânica representa uma importante ciência de interface que contribui para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade. Essa ciência busca analisar e enfatizar o conhecimento tradicional das populações locais sobre a flora e fauna, bem como a utilização desses recursos ambientais em seu cotidiano. Conhecer esses elementos e saber como podem ser úteis nas suas vidas reforça sua ligação com os biomas regionais. Considerando a estreita ligação das comunidades assentadas com a terra e do saber ambiental que as mesmas detêm, bem como da necessidade de conservação do bioma Cerrado, este estudo pretende resgatar o etnoconhecimento da comunidade do Assentamento Santa Rita, no município de Jataí (GO), contribuindo para a conservação do bioma Cerrado, utilizando como pressupostos metodológicos a análise do grau de apropriação do uso das plantas nativas pela comunidade desse assentamento. A metodologia utilizada é baseada na pesquisa quali-quantitativa, apropriando-se do método etnográfico. As técnicas abrangem entrevistas, observações diretas, trabalho de campo, registro fotográfico, oficina, turnês-guiadas e caderneta de campo. Os resultados demonstram que foram identificadas oitenta e três plantas através das entrevistas realizadas com os assentados; foram identificadas quarenta e sete espécies através de percursos em áreas de vegetação nativa, acompanhados de uma especialista; cento e vinte e sete plantas foram reconhecidas pelos assentados quando levados em campo durante as turnês-guiadas. As plantas identificadas pelos assentados foram classificadas em etnocategorias, destas as de maior destaque foram as de uso medicinal e madeireiro. Por meio de análise dos dados obtidos, concluiu-se que as plantas são utilizadas de diferentes formas, principalmente para chás e a queima de madeira. O maior número de plantas foi encontrado nas pastagens. Os participantes identificaram maior número de plantas em seu ambiente natural do que na bancada de frutos e sementes. A família botânica de maior destaque foi a Fabaceae, e dentro desta também se destacou as espécies de uso madeireiro, e a parte mais utilizada dessas plantas é o lenho. Nos aspectos identificação, número de citações e número de categorias de uso indicadas, o jatobá-da-mata obteve destaque. Considera-se que a comunidade assentada detém um alto conhecimento em relação ao seu ambiente, o que pode ser justificado pela origem dessas pessoas, já que 91% dos participantes sempre moraram no campo ou residiram na cidade, mas são de origem camponesa e os avós e pais foram trabalhadores rurais ou proprietários de terras. A partir destas observações verifica-se que o valor do conhecimento vai muito além da academia, pois aquele que é repassado de geração a geração, através das populações tradicionais, neste caso os camponeses, mantém informações que muitas vezes se perdem juntamente com a fragmentação dos biomas, deixando uma grande lacuna de valiosas informações.

 

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